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Transição energética
Financiamento da Transição Energética e
Minerais Críticos
Hsia Hua Sheng é Vice Presidente e Diretor Executivo do Ban-
co da China (Brasil) e Professor Associado na FGV-EAESP
As opiniões e análises apresentadas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seus
Hsia Hua Sheng
autores e não re etem, necessariamente, a posição institucional da Funcex.
MINERAIS CRÍTICOS, EFICIÊNCIA DE MERCADO E CUSTO DE TRANSAÇÃO
A intensi cação da transição energética global entre 2024 e 2026 reposicionou os minerais críticos — especialmen-
te terras raras, lítio, níquel e cobalto — no centro das estratégias industriais, nanceiras e geopolíticas das principais
economias. Esses minerais são insumos essenciais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, semiconduto-
res, sistemas de armazenamento de energia e aplicações militares de alta sensibilidade tecnológica. No entanto, as
experiências internacionais recentes demonstram de forma consistente que a simples existência de reservas minerais
não garante nanciamento sustentável, atração de capital privado nem desenvolvimento econômico de longo prazo.
Em setores intensivos em tecnologia, a mineração isolada raramente se converte em valor econômico pleno. Projetos
concentrados apenas na extração enfrentam elevada volatilidade de preços, incerteza quanto à demanda futura, risco tec-
nológico não preci cável e di culdades estruturais de nanciamento (Williamson, 1985). Do ponto de vista e ciência de
mercado, o nanciamento da mineração crítica deve ser compreendido como um fenômeno condicionado pela estrutura
das cadeias produtivas globais e pela capacidade de coordenação industrial entre múltiplas etapas de manufatura.
Portanto, argumento que o elemento decisivo para o nanciamento não é a geologia de commodities, mas a
capacidade de integrar extração, re no, separação química e aplicação industrial em um sistema coerente. Di-
ferentes dos outros minerais, em minerais críticos, o verdadeiro gargalo econômico não está na extração do minério
bruto, mas no domínio tecnológico necessário para transformá-lo em produtos com padrões rigorosos de pureza,
con abilidade e certi cação. É nessas etapas intermediárias e nais que se concentram o risco, o valor agregado e o
poder de coordenação das cadeias globais (Gere et al., 2005; Antràs, 2015).
Essa perspectiva segue a abordagem de e ciência de mercado sob custo de transação (Williamson, 1985). Diferen-
temente da de nição clássica, baseada na incorporação rápida de informações em preços (Fama, 1970), a e ciência
de mercado sob o custo de transação é uma propriedade endógena à estrutura industrial. Um mercado é e ciente
quando consegue internalizar riscos tecnológicos, reduzir assimetrias de informação, coordenar contratos de longo
prazo e gerar uxos de caixa previsíveis.
Em minerais críticos, preços de mercado não sinalizam adequadamente valor econômico quando faltam re no, separa-
ção química, governança contratual e compradores industriais integrados. Nesses casos, o capital privado não consegue
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