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Transição energética


          sos  naturais  nem  a  ausência  de   nanciamento  pontual,  re no, processamento e transformação industrial ajuda a
          mas a incapacidade de internalizar as etapas tecnológicas  explicar por que projetos minerais tendem a atrair  nan-
          que determinam o valor econômico  nal do minério. En-  ciamento exógeno ou estratégico, em vez de investimen-
          quanto essa lacuna persistir, projetos brasileiros tenderão  tos privados integrados e sustentáveis.
          a depender de  nanciamento estratégico-estatal, com e -
          ciência de mercado limitada e sustentabilidade incerta.
                                                              CONCLUSÃO E IMPLICAÇÕES ES
          Assim, o desa o brasileiro não é apenas atrair  nancia-
          mento para projetos especí cos, mas transformar esses   TRATÉGICAS
          projetos em núcleos de integração produtiva. Isso impli-
          ca reduzir custos de transação por meio de aprendizado   A evidência empírica internacional mostra que o  nan-
          tecnológico, formação de capital humano, atração de  ciamento sustentável de minerais críticos e terras raras
          fornecedores especializados e inserção em contratos in-  segue a tecnologia e a estrutura industrial, e não a geo-
          dustriais de longo prazo. Sem esse movimento, mesmo   logia de commodities. Onde existem cadeias produtivas
          casos emblemáticos como a Serra Verde tendem a per-  integradas, capazes de internalizar risco tecnológico,
          manecer como exceções estratégicas, e não como vetores   coordenar contratos de longo prazo e atender padrões
          de desenvolvimento industrial sustentável.          industriais rigorosos, o  nanciamento privado emerge
                                                              de forma contínua e escalável. Em contraste, quando
          Além das limitações tecnológicas e industriais já discu-  essas condições não estão presentes, o mercado falha e
          tidas, a literatura recente evidencia que projetos de mi-  o  nanciamento assume caráter estatal, defensivo e geo-
          neração no Brasil também enfrentam custos adicionais  politicamente condicionado.
          associados à liability of foreignness (LOF), especialmen-
          te quando liderados por investidores estrangeiros. O  Para o Brasil,  nanciar apenas a extração mineral crítica
          Bueno, Sheng e Bortoluzzo (2024) demonstra que em-  pode gerar ganhos de curto prazo, mas não cria autono-
          presas estrangeiras do setor mineral incorrem em custos  mia industrial nem domínio tecnológico. Apesar da au-
          institucionais, regulatórios e de coordenação superiores  sência de escala inicial atual, isso não deve ser interpretada
          aos observados em setores menos intensivos em ativos  como um impedimento estrutural, mas como uma etapa
           xos e licenciamento ambiental.                     natural do processo de aprendizado e consolidação indus-
                                                              trial no futuro. A experiência internacional indica que a
          Esses  custos  incluem  maior  incerteza  regulatória,  com-  escala é consequência da integração gradual, produtiva e
          plexidade  no  relacionamento  com  autoridades  locais,  da capacidade tecnológica, e não sua pré-condição.
          exigências  ambientais  assimétricas  e  di culdades  de  co-
          ordenação com fornecedores e comunidades locais. Esses  O principal passo é integrar mineração com processa-
          fatores elevam signi cativamente os custos de transação e  mento e uso industrial, mesmo que isso comece em es-
          reduzem  a  previsibilidade  dos   uxos  de  caixa,  tornando  cala pequena.  uando o país domina apenas a extração,
          o   nanciamento  privado  mais  restritivo.  Assim,  mesmo  investidores enxergam alto risco, porque não sabem se o
          quando  há  capital  estrangeiro  disponível,  a  combinação  minério poderá virar um produto industrial com quali-
          entre  LOF  e  ausência  de  integração  industrial  plena  re-  dade e mercado garantidos e maior valor agregado.
          força a dependência de  nanciamento estratégico-estatal
          e limita a emergência de um equilíbrio de mercado endó-  Ao desenvolver etapas como re no, processamento quí-
          geno e sustentável no setor mineral brasileiro.     mico e aplicações industriais, o Brasil reduz esse risco, for-
                                                              ma mão de obra especializada e cria relações estáveis com
          Falta  de  apoio  técnico  local  especializado  do  mineral  compradores. Isso transforma recursos naturais em negó-
          críticos e terras raras também di culta  nanciamento es-  cios previsíveis, o que é exatamente o que investidores e
          trangeiro. Hennart, Pimenta e Sheng (2015) discute so-  bancos procuram para  nanciar projetos de longo prazo.
          bre o papel dos local complementary inputs nas decisões de
          entrada e investimento estrangeiro. A atratividade de um  Além disso, é importante reduzir as di culdades enfren-
          país para investimentos intensivos em capital e tecnologia  tadas por investidores e  nanciadores estrangeiros, como
          depende  menos  da  disponibilidade  isolada  de  recursos  incerteza regulatória, burocracia excessiva e di culdades
          naturais  e  mais  da  presença  de  inputs  complementares  de coordenação local. Essas barreiras aumentam o custo
          locais, como capacidades técnicas, fornecedores especia-  do investimento e afastam o capital privado. No entanto,
          lizados, infraestrutura industrial e governança produtiva.  melhorar regras e contratos não basta por si só. Os inves-
          No caso brasileiro, a escassez desses inputs nas etapas de  timentos só se tornam atraentes quando o país também

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