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RBCE - A revista da
ográ ca de cadeias industriais já consolidadas, que abran-
gem mineração, re no, separação química e aplicações
industriais nais. Bancos e empresas chinesas nanciam
projetos no exterior porque dominam as etapas críticas
que determinam o valor econômico do produto nal. O
capital, nesse caso, não segue apenas o minério, mas a ca-
deia tecnológica capaz de absorvê-lo de forma previsível.
Exemplos concretos de integração downstream incluem
o nanciamento de projetos de cobalto e cobre na Re-
pública Democrática do Congo, nos quais o minério
extraído é destinado diretamente a re narias e fabrican-
tes de baterias na China, fora do mercado spot. Outro
exemplo relevante é o lítio no Chile, especialmente no
Salar de Atacama, onde a participação chinesa combina
capital, contratos de o
ake de longo prazo e integração
Imagem de Gabriela Motta por Pixabay com a indústria de cátodos e baterias.
Esse modelo se aproxima de um equilíbrio de mercado re-
lativamente e ciente. Os principais riscos — tecnológicos,
de qualidade e de demanda — são internalizados pela ca-
deia produtiva. A assimetria de informação é reduzida, os
custos de transação são baixos e os uxos de caixa tornam-
-se previsíveis. Como resultado, o nanciamento privado
preci car risco de forma adequada, pois a incerteza rele-
vante não é informacional, mas estrutural e tecnológica. emerge de forma recorrente e escalável. A e ciência, nesse
contexto, não decorre da neutralidade do mercado global,
Essa distinção é fundamental para compreender por que mas da coordenação vertical e do domínio tecnológico.
alguns países conseguem nanciar projetos de mineração
crítica em larga escala, enquanto outros, apesar de abun-
dantes em recursos naturais, permanecem estruturalmen- Modelo 2: Financiamento estratégico-estatal
te excluídos do nanciamento privado. O segundo modelo é o nanciamento estratégico-estatal,
liderados pelos Estados Unidos e União Europeia. Nesses
casos, o nanciamento ocorre predominantemente por
EVIDÊNCIA GLOBAL: MODELOS DE instrumentos públicos ou paraestatais, motivados por ob-
FINANCIAMENTO DE MINERAIS jetivos geopolíticos, de segurança nacional ou de diversi -
CRÍTICOS cação de suprimento. Diferentemente do modelo chinês,
esses projetos não estão ancorados em cadeias produtivas
completas nem contam com domínio consolidado das
A análise comparada dos principais projetos globais de etapas críticas de re no e separação química.
minerais críticos revela a existência de três modelos do-
minantes de nanciamento, cada um associado a dife- Um exemplo é o nanciamento concedido por uma
rentes graus de e ciência econômica, sustentabilidade agência pública norte-americana a uma mineradora bra-
nanceira e dependência de intervenção estatal. Esses sileira de terras raras em Goiás. Embora o projeto tenha
modelos não surgem de forma aleatória, mas re etem relevância estratégica no contexto da diversi cação de
padrões estruturais relacionados ao domínio tecnológi- suprimentos, os Estados Unidos não dominam plena-
co e à organização das cadeias produtivas. mente o re no, a separação química nem as aplicações
industriais nais associadas a esses minerais. O risco tec-
nológico permanece externo ao projeto, e a previsibili-
Modelo 1: Financiamento integrado à cadeia dade de receitas depende de decisões políticas e acordos
produtiva
institucionais, e não de contratos industriais integrados.
O primeiro e mais robusto modelo é o nanciamento in- Situação semelhante ocorre em projetos de terras raras
tegrado à cadeia produtiva completa, liderado pela China. na Califórnia (Mountain Pass), que dependem de apoio
Nesse arranjo, o nanciamento ocorre como extensão ge- estatal recorrente, bem como em diversos projetos euro-
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