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Transição energética


          peus  nanciados por subsídios públicos e afetados por  contratos raramente são su cientes, pois a aceitação do
          entraves regulatórios.                              produto  nal depende de processos industriais poste-
                                                              riores que estão fora do controle do projeto minerador.
          Esse modelo é exógeno ao mercado. O  nanciamento não   A consequência prática é que bancos e investidores não
          decorre de busca de e ciência econômica, mas da tentati-  conseguem avaliar risco tecnológico, risco de qualidade
          va de compensar falhas estruturais associadas à ausência   e risco de demanda de forma independente. A experi-
          de  cadeias  completas  por  motivos  geopolíticos.  O  capi-  ência internacional mostra que, sem integração downs-
          tal privado se retrai, os custos de transação permanecem  tream, projetos  nanciados via project  nance tendem
          elevados e a sustentabilidade  nanceira no longo prazo é  a enfrentar atrasos, revisões contratuais ou cancelamen-
          limitada. Trata-se de um modelo defensivo, politicamen-  tos, como observado em iniciativas de terras raras na
          te condicionado, que não altera a posição estrutural dos  Groenlândia, no Canadá e em partes da África.
          países envolvidos na cadeia global de valor.


          Modelo 3: Financiamento misto                       O CASO BRASILEIRO: RESERVAS,
                                                              FINANCIAMENTO E LIMITES
          O terceiro modelo é o  nanciamento misto, observado em
          países  como  Japão,  Austrália  e  Canadá.  Nesse  arranjo,  o  ESTRUTURAIS
           nanciamento combina capital privado, apoio estatal sele-
          tivo e contratos de o
ake destinados a reduzir a incerteza  O Brasil exempli ca de forma clara a distinção conceitual
          de  demanda.  Esse  modelo  tem  funcionado  relativamente  entre ativos geológicos e ativos econômicos. Apesar de pos-
          bem  para  minerais  de  menor  complexidade  tecnológica,  suir uma das maiores reservas globais de terras raras, o país
          como lítio e níquel, mas apresenta limitações signi cativas  responde por uma parcela mínima da produção mundial.
          no segmento de terras raras, onde o domínio tecnológico  Essa discrepância não decorre de limitações naturais ou ins-
          do re no é determinante do valor econômico.         titucionais, mas de fatores estruturais: ausência de domínio
                                                              tecnológico  nas  etapas  de  re no  e  separação  química,  es-
          Parcerias Japão–Austrália em projetos de lítio e níquel ilus-  cassez de equipamentos especializados, limitações em capi-
          tram  esse  modelo,  assim  como  iniciativas  canadenses  em  tal humano técnico e, sobretudo, falta de integração com
          terras raras e gra te, que combinam recursos públicos e pri-  compradores  industriais  capazes  de  absorver  a  produção
          vados. Apesar de ambientes institucionais estáveis e acesso   em padrões de pureza exigidos pelo mercado global.
          a capital  nanceiro, esses projetos enfrentam elevado custo
          de capital e longos prazos de maturação, re etindo a ausên-  Vimos na experiência internacional, projetos de mine-
          cia de integração plena nas etapas críticas da cadeia.   ração que se limitam à extração enfrentam custos de
                                                              transação elevados e risco tecnológico não preci cável.
                                                              A incerteza não está apenas no volume ou no preço do
          Di culdade do Modelo Project Finance
                                                              minério, mas na capacidade de transformá-lo em produ-
          Um  ponto  recorrente  na  evidência  internacional  é  o  to  nal com especi cações industriais rigorosas. Nessas
          fracasso  sistemático  do  project   nance  clássico  quando  condições, o capital privado tende a se retrair, pois não
          aplicado  a  projetos  de  minerais  críticos,  especialmen-  consegue avaliar de forma con ável o risco associado ao
          te  terras  raras.  Diferentemente  de  setores  como  energia  projeto. O  nanciamento que surge, quando surge, assu-
          elétrica, concessões rodoviárias ou saneamento, projetos  me caráter episódico, estratégico ou político, sem alterar
          de mineração crítica não apresentam  uxos de caixa está-  a posição estrutural do país na cadeia global de valor.
          veis, tecnologia madura nem previsibilidade de demanda
          independente  da  estrutura  industrial.  No  caso  de  terras  Tabela 1 ilustra os principais  nanciamentos ocorridos
          raras, a qualidade econômica do projeto depende menos   no setor de minerais críticos nos últimos 5 anos. O caso
          do volume extraído e mais da capacidade de re no, sepa-  da Serra Verde, mineradora brasileira de terras raras lo-
          ração química e atendimento a especi cações industriais   calizada em Goiás, é particularmente ilustrativo desse
          extremamente rigorosas. Como essas etapas não estão in-  dilema. A empresa opera o projeto Pela Ema, atualmen-
          ternalizadas no projeto de mineração, o risco torna-se não   te uma das poucas iniciativas fora da Ásia com capacida-
          mensurável para  nanciadores tradicionais.          de comercial de produzir terras raras pesadas. Do ponto
                                                              de vista geológico e operacional, trata-se de um ativo
          Além disso, o project  nance pressupõe a existência de  relevante. No entanto, do ponto de vista da e ciência de
          contratos de longo prazo capazes de isolar o projeto de  mercado, o projeto revela tanto avanços quanto limites
          riscos externos relevantes. Em minerais críticos, esses  estruturais da inserção brasileira no setor.

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