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RBCE - A revista da



                                                              presas  existem  em  territórios  concretos,  um  município,
                                                              uma região, um estado. É ali que elas precisam de apoio
                                                              para  fazer  estudo  de  mercado,  acessar  crédito,  entender
                                                              a burocracia, encontrar parceiros logísticos, participar de
                                                              missões e receber formação em internacionalização.

                                                              Se não existe uma coordenação subnacional, os progra-
                                                              mas federais  cam soltos, isso signi ca que existem no
                                                              papel, aparecem na apresentação em PowerPoint, mas
                                                              não chegam de forma consistente às empresas que são
                                                              as que mais precisam. É o típico caso de falha de política
                                                              que, no fundo, é também uma falha de ecossistema.
                                                           Imagem de Dieter Lö er por Pixabay  É por isso que tenho defendido, na prática e na pesqui-

                                                              sa, que olhar para estados e cidades como plataformas
                                                              ativas de internacionalização é necessidade. E o Paraná é
                                                              um bom exemplo de por que isso importa.


                                                              PARANÁ: TODOS OS PRODUTOS,
                                                              MAS UM SUPERMERCADO AINDA

                                                              EM OBRA
          Falamos de governos, agências de promoção, federações
          empresariais,  cooperativas,  universidades,  parques  tec-  O Paraná é uma das maiores economias estaduais do
          nológicos, câmaras de comércio, corpo consular, hubs de   país. Tem agronegócio forte, agroindústria competitiva,
          inovação e de networking. Todos esses elementos já apare-  cadeias industriais relevantes, cooperativismo robusto,
          cem na literatura como hélices, ecossistemas de inovação,   infraestrutura logística estratégica (portos, fronteiras,
          ecossistemas empreendedores. Mas, na prática, o que di-  corredores rodoviários e ferroviários, aeroportos). Res-
                                                              pira comércio exterior tanto pelo lado das exportações
          ferencia  um  território  em  que  as  coisas  andam  de  outro  de frango, soja, automóveis quanto pelo lado das impor-
          em que tudo  ca no discurso não é só quem está presente,   tações de insumos e tecnologia.
          é como essas peças se articulam. Basta olhar para fora. Re-
          giões como Catalunha (ACCIO - Agencia per a la Com-  Além disso, conta com uma densidade institucional
          petitivitat  de  l’Empresa),  País  Basco  (SPRI  -  Sociedad  impressionante: federações empresariais, associações
          para la Promoción y Reconversión Industrial), Singapura   comerciais, cooperativas, SEBRAE, Invest Paraná,  uni-
          (Enterprise  Singapura),  Toronto-Waterloo  e  a  Startup  versidades públicas e privadas, parques tecnológicos,
          Chile transformaram seus territórios porque construíram   fundações de apoio à pesquisa, conselhos pro ssionais,
          redes densas e contínuas entre os agentes. Não é coinci-  corpo consular ativo, câmaras bilaterais, hubs de ino-
          dência  que  esses  ecossistemas  sejam  benchmarks globais  vação e permitam-me o exemplo da casa, iniciativas de
          em atração de investimentos, internacionalização e inova-  networking como o HappyComex.
          ção. Eles entenderam que comércio exterior não acontece
          no vazio, ele emerge de relações quali cadas.       Se olharmos apenas a lista de atores, parece o desenho
                                                              perfeito de um  ecossistema. Mas quem vive o dia a dia
                                                              sabe que ainda há vazios de coordenação importantes.
          SUBNACIONAL: O NÍVEL  UE                            Muitas agendas caminham em paralelo, alguns progra-
          COSTUMA FICAR DE FORA                               mas se sobrepõem, informações se perdem no meio do
                                                              caminho, e a internacionalização acaba dependendo
                                                              mais da energia de indivíduos e nichos especí cos do
           uando se fala em política comercial ou em promoção de   que de uma engrenagem coletiva bem azeitada.
          exportações, o foco quase sempre está em Brasília. É natu-
          ral, pois é o governo federal que negocia acordos, de ne  É justamente para nomear e enfrentar esses vazios que
          tarifas,  cria  agências  como  a  ApexBrasil.  Só  que  as  em-  proponho duas peças centrais: a Arena de Articulação


          Nº  166 - Janeiro, Fevereiro e Março de 2026                                                       55
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