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RBCE - A revista da
Além disso, o ambiente empresarial norte-americano
ainda é signi cativamente mais atrativo e favorável ao de- “ A China muitas vezes oscila entre um
senvolvimento e crescimento de start-ups, que frequente-
mente se transformam em unicórnios multimilionários. discurso de potência global e outro de
Na China, esse processo ainda enfrenta, em muitos casos, vulnerabilidade, posicionando-se, quando
limitações decorrentes da forte presença e intervenção go- lhe convém, como uma aliada estratégica
vernamental, como demonstram os grá cos 1 e 2 abaixo. do Sul Global. Ao defender uma suposta
............................................................................ ‘democratização tecnológica’, busca apoio
GRÁFICO 1 e aproximação com países em desenvolvi-
mento em mercados estratégicos
”
Durante a recente visita de Trump à China, a partici-
pação dos gigantes americanos da tech simbolizou uma
verdadeira demonstração de força americana, fato reco-
nhecido pelos próprios chineses, inclusive agrados em
diversas sel es ao longo dos jantares e encontros o ciais.
Em recente artigo do South China Morning Post (SCMP),
a narrativa chinesa torna-se bastante clara: em vez de a r-
mar que a China já ultrapassou os Estados Unidos, o dis-
curso é de reconhecer a liderança americana e justamente
criticar as consequências da dominância tecnológica ame-
ricana para o restante do mundo (Xiaoming, 2026).
Para quem viveu na China e estudou um pouco da loso a chi-
nesa, especialmente suas contradições sociais e de pensamento,
esse movimento não chega a ser exatamente uma novidade. A
China muitas vezes oscila entre um discurso de potência glo-
............................................................................ bal e outro de vulnerabilidade, posicionando-se, quando lhe
convém, como uma aliada estratégica do Sul Global, da Nova
GRÁFICO 2 Rota da Seda, dos BRICS e de outros agrupamentos multila-
terais. Ao defender uma suposta “democratização tecnológica”,
busca apoio e aproximação com países em desenvolvimento,
incorporando tecnologias chinesas ou substituindo gradual-
mente tecnologias americanas em mercados estratégicos.
Ao mesmo tempo, enquanto se associa a um discurso
mais “democrático” e cooperativo voltado ao Sul Glo-
bal, a China também demonstra, em diversos momen-
tos, uma postura cada vez mais estratégica e competitiva
frente aos Estados Unidos — apresentando-se, por ve-
zes, como uma verdadeira “grande potência global”, ain-
da que sem adotar um discurso de confronto tão direto
e explícito, preservando simultaneamente sua narrativa
diplomática de cooperação e desenvolvimento mútuo.
III IDEOLOGIAS E CULTURA
O fato é que uma disputa ideológica está presente tam-
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