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RBCE - A revista da
muito mais so sticadas e diversi cadas. Antes, a China era ro é concentrar-se em si próprio. Não se trata de escolher
vista principalmente como uma plataforma industrial vol- lados, mas de compreender que o Brasil precisa aprender
tada à fabricação em larga escala — muitas empresas busca- com ambos os modelos, sem romantizar nenhum deles e,
vam apenas fábricas OEM, fornecedores ou parceiros para principalmente, sem perder de vista seus próprios interesses
distribuição de produtos chineses no Brasil. Atualmente, estratégicos, industriais, tecnológicos e educacionais.
porém, as possibilidades vão muito além disso.
É possível falar em cooperação tecnológica, desenvolvi- REFERÊNCIAS
mento conjunto, joint ventures, parcerias estratégicas, trans-
ferência de know-how, pesquisa aplicada e até na criação de CB INSIGHTS. e Complete List of Unicorn Com-
redes de distribuição e franquias voltadas a toda a América panies. Disponível em: https://www.cbinsights.com/
Latina. Em muitos casos, empresas chinesas já não buscam research-unicorn-companies Acesso em: 24 maio 2026.
apenas exportar produtos, mas estabelecer presença inter-
nacional mais estruturada, aproximando-se dos mercados FUNCEX — FUNDAÇÃO DE COMÉRCIO EX-
locais e construindo operações de longo prazo. TERIOR E RELAÇÕES INTERNACIONAIS. Ne-
gócios com a China: cultura, estratégia e oportunidades.
As oportunidades de negócios existem hoje em pratica- Webinar ministrado por ais Moretz Fernandes, 2026.
mente todos os setores. A China consolidou-se como Disponível em: https://youtu.be/c7nS2WMUudI?-
uma potência industrial capaz não apenas de fabricar, mas si=PSX_6h75Kf2ted Acesso em: 24 maio 2026.
também de inovar e diversi car. Em algumas áreas, dis-
puta diretamente com os Estados Unidos em tecnologia, HURUN RESEARCH INSTITUTE. Global Unicorn
infraestrutura, inteligência arti cial, energia renovável e Index 2024. Disponível em: https://www.hurun.net/
veículos elétricos. Em outras, como mencionei anterior- en-US/Info/Detail?num=5KSE6PGJ5K9B Acesso
mente, a China ainda segue em clara desvantagem, espe- em: 24 maio 2026.
cialmente quando observamos ecossistemas de inovação
privada, so ware, semicondutores avançados, venture XIAOMING, Zhang. Why China should stop obsessing
capital e valorização global das grandes empresas de tech. over surpassing the US in tech. South China Morning
Post (SCMP), Hong Kong, 19 jan. 2026. Disponível
A intensi cação da rivalidade entre EUA e China traz, em: https://www.scmp.com/tech/article/3295019/
inclusive, um efeito que pode acabar bene ciando os why-china-should-stop-obsessing-over-surpassing-us-
próprios americanos. Como falei no início deste artigo, -tech. Acesso em: 24 maio 2026.
após o m da Guerra Fria e a ausência de um competidor
estratégico direto equivalente à antiga União Soviética, TRADINGVIEW. Top 10 Companies in China and the
muitos setores dos Estados Unidos passaram por um pe- US by Market Capitalization. Disponível em: https://
ríodo de acomodação. Agora, com a ascensão chinesa, www.tradingview.com Acesso em: 24 maio 2026.
os gigantes americanos da tecnologia voltaram a investir
pesadamente em inovação, semicondutores, inteligên- YUNZHI. “Trump tari s harmed children in the US
cia arti cial, infraestrutura digital e políticas industriais and tech industries in China.” Business Insider, 2025.
voltadas à manutenção da liderança tecnológica global. Disponível em: https://www.businessinsider.com/
trump-tariffs-harmed-children-us-tech-industry-chi-
Enquanto isso, a China segue fazendo o seu “dever de casa”, na-2025-3 Acesso em: 24 maio 2026.
mantendo uma postura extremamente pragmática e pa-
ciente em seus projetos de longo prazo. Ao mesmo tempo, ZHANG, Angela Huyue. High Wire: How China Re-
embora a ascensão chinesa abra novas oportunidades de gulates Big Tech and Go erns Its Economy. New York:
negócios para empresários, investidores e mercados emer- Oxford University Press, 2024.
gentes, como o Brasil, seria ingênuo imaginar que o volume
de investimentos chineses no Brasil ou a simples aproxima-
ção comercial com a China, por si só, representarão uma
solução para os desa os estruturais brasileiros.
Nem o sonho chinês (Chinese Dream) e nem o sonho ame-
ricano (American Dream) são alavancas estruturais para a
nossa economia e inovação. O principal desa o brasilei-
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