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RBCE - A revista da
ços da China para desenvolver alternativas domésticas.
A perspectiva de um renovado acesso chinês a semicon-
dutores avançados — aliada à manutenção do acesso dos
EUA a minerais críticos e terras-raras re nados na Chi-
na — contribuiu para um alívio temporário das tensões,
permitindo que ambos os países baixassem suas armas
comerciais em outubro do ano passado (Canuto, 2025).
A TECNOLOGIA COMO EIXO DA
RIVALIDADE
A tecnologia emergiu como a principal arena de compe-
tição estratégica entre os EUA e a China. Ela já não é me-
ramente um motor de produtividade e crescimento eco-
nômico, mas um “painel de controle central” que molda
as capacidades militares, a in uência econômica, a gover-
nança de dados e o poder geopolítico — mesmo enquanto
as cadeias de suprimentos globais permanecem profunda-
mente interdependentes (Goldman Sachs, 2025).
A corrida tecnológica entre os EUA e a China serve ago-
constante da produção doméstica e um movimento pro- ra como o eixo organizador de sua rivalidade estratégi-
gressivo de ascensão nas cadeias globais de valor. ca mais ampla. Embora os EUA continuem a liderar na
inovação de ponta, a China está reduzindo rapidamente
Nesse contexto, as restrições impostas em 2019 pela a distância, particularmente na implementação aplicada,
primeira administração Trump ao acesso ao mercado e na implantação de infraestrutura e no controle sobre in-
à tecnologia para subsidiárias do grupo chinês Huawei sumos físicos essenciais, incluindo minerais críticos re -
— bem como para a ZTE — podem ser vistas como nados, elementos de terras raras e sistemas de energia.
algo mais do que meras medidas isoladas de comércio
ou segurança. Conforme antecipado à época, elas repre-
sentaram o tiro de largada de um confronto destinado a UAL É O ESTADO ATUAL DESTA
perdurar (Canuto, 2019). Na prática, os EUA estavam
enviando uma mensagem estratégica clara à China: GUERRA?
“Vocês zeram uso e caz da globalização para ascender Em uma entrevista para o Goldman Sachs (2025), Mark
na escala tecnológica e de renda, combinando o acesso à Kennedy identi ca quatro arenas-chave que moldam a
tecnologia com investimentos em suas próprias capaci- corrida tecnológica entre EUA e China: “inovação tec-
dades — mas, de agora em diante, espera-se que subam nológica, aplicação prática da tecnologia, instalação do
os degraus restantes por conta própria.” ‘encaminhamento digital’ ou infraestrutura que susten-
ta a tecnologia, e autossu ciência tecnológica”.
Desde então, a China empreendeu um esforço de inves-
timento sustentado, visando reduzir a dependência de Enquanto os EUA permanecem como o líder global na
fronteiras tecnológicas externas em múltiplos domínios. maioria das tecnologias de fronteira — tais como semi-
Já abordamos os casos dos semicondutores e da energia condutores de ponta, *frameworks* de IA, infraestrutura
limpa, incluindo o domínio da China nas etapas iniciais de computação em nuvem e computação quântica —, a
da cadeia produtiva (upstream) no re no de minerais China está reduzindo rapidamente a distância ou assu-
críticos e terras-raras (Canuto, 2023). Os controles de mindo a liderança em várias outras dimensões críticas.
exportação impostos pelos EUA sobre chips avançados e As empresas norte-americanas continuam a dominar o
equipamentos de fabricação retardaram o avanço da Chi- design de chips, segmentos-chave de equipamentos de
na na fronteira tecnológica, mas não o interromperam. fabricação de semicondutores e o desenvolvimento dos
Em alguns casos, esses controles até aceleraram os esfor- modelos de IA mais avançados. Esses pontos fortes são
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