Page 53 - RBCE 166
P. 53

RBCE - A revista da



         FIGURA 5





























                                        ............................................................................
          já estabelecidas. Os Estados Unidos continuam a se desta-  subsídios governamentais. Os ganhos resultantes em
          car na primeira dessas frentes, incluindo a pesquisa avança-  produtividade e competitividade permitiram à China
          da em captura, armazenamento e remoção de carbono. O  alcançar uma posição predominante nas exportações
          país  também  está  explorando  novas  fronteiras  na  energia  globais de automóveis (Canuto e Martins, 2024).
          geotérmica, bene ciando-se da expertise em fraturamento
          hidráulico adquirida na indústria de óleo e gás de xisto.  O caso da energia eólica é mais complexo. A China abri-
                                                              ga atualmente a maioria das dez maiores fabricantes de
          Em  contrapartida,  nas  indústrias  comerciais  que  se  en-  turbinas eólicas do mundo, mas essas empresas atendem
          contram  em  fase  de  expansão,  os  Estados  Unidos   cam  predominantemente ao mercado interno (Figura 5, lado
          atrás da China nas tecnologias de descarbonização mais  direito). As turbinas eólicas — dadas as suas grandes
          críticas: energia solar, eólica, baterias e hidrogênio. O rit-  torres e pás — exigem extensa instalação, assistência téc-
          mo mais acelerado de investimentos da China em energia  nica e manutenção no local, o que impõe desa os às em-
          limpa  ao  longo  da  última  década  traduziu-se  em  vanta-  presas chinesas que operam no exterior (Canuto, 2023).
          gens nas curvas de aprendizado e na difusão tecnológica.
                                                              O presidente dos EUA, Biden, obteve a aprovação do
          O domínio chinês é particularmente evidente na ener-  Congresso para a Lei de Redução da In ação (IRA) e
          gia solar (Figura 5). A queda de 90% no custo da geração  iniciou a sua implementação com o objetivo de fortale-
          de energia solar ao longo da última década foi impul-  cer a produção interna de energia limpa; no entanto, o
          sionada, em grande medida, por empresas chinesas, as  presidente Trump, posteriormente, reverteu essa políti-
          quais respondem por uma fatia entre 75% e 95% de cada  ca. Essa reversão ocorreu num momento em que, devido
          segmento da cadeia de valor. A imposição de tarifas e as  ao aprendizado tecnológico, os custos das energias re-

          proibições de importação não alteraram o fato de que as  nováveis  haviam caído o su ciente para competir dire-
          importações norte-americanas de células fotovoltaicas,  tamente com os combustíveis fósseis.
          atualmente, têm sua origem predominantemente em fa-
          bricantes chineses que operam no Sudeste Asiático.
                                                              AS FRONTEIRAS DA CORRIDA TEC
          A China também está na vanguarda da produção de
          baterias para veículos elétricos, ganhando terreno até  NOLÓGICA  4 : MINERAIS CRÍTICOS
          mesmo em relação a empresas do Japão e da Coreia do  E TERRAS RARAS
          Sul, que outrora lideravam a ponta tecnológica. Os pro-
          dutores chineses bene ciaram-se da rápida expansão  Outro foco de competição reside nas cadeias de supri-
          da produção interna de veículos elétricos, apoiada por  mentos de terras raras e minerais críticos. A China do-


          Nº  166 - Janeiro, Fevereiro e Março de 2026                                                       49
   48   49   50   51   52   53   54   55   56   57   58