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China - EUA








             Múltiplas Frentes da Rivalidade Tecnológica


             entre EUA e China
















                                                              As opiniões e análises apresentadas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seus
                                                              autores e não re etem, necessariamente, a posição institucional da Funcex.

             Otaviano Canuto



          Este artigo examina a rivalidade tecnológica em evolução entre os EUA e a China como um eixo central da compe-
          tição geopolítica e econômica contemporânea. Embora os EUA mantenham a liderança na inovação de fronteira
          — particularmente em semicondutores avançados, modelos de IA e ecossistemas de pesquisa —, a China tem redu-
          zido a distância de forma constante por meio da implementação em larga escala, da coordenação industrial e de um
          controle crescente sobre as principais cadeias de suprimentos globais.

          A rivalidade desenrola-se agora em múltiplas frentes interconectadas, incluindo semicondutores e IA, aplicações
          tecnológicas e ecossistemas industriais, energia limpa, minerais críticos e infraestrutura energética. A análise destaca
          uma assimetria estrutural: a vantagem comparativa da China reside na incorporação de tecnologias “su cientemen-
          te boas” em sistemas de produção física, apoiada pela coordenação estatal e pela escala, ao passo que os EUA depen-
          dem da liderança em inovação, dos mercados de capitais e de formas mais seletivas de política industrial.

          A competição tecnológica projeta-se também, de forma crescente, sobre terceiras regiões — particularmente o Sul
          Global — por meio do desenvolvimento de infraestrutura, sistemas energéticos e redes digitais. O artigo conclui
          que a rivalidade entre EUA e China já não se de ne unicamente pela liderança em inovação, mas sim pela capaci-
          dade de integrar a tecnologia à produção, aos sistemas energéticos e à in uência geopolítica, resultando em uma
          ordem tecnológica global fragmentada, porém profundamente interdependente.



          SUBIR A ESCADA ATÉ O TOPO POR CONTA PRÓPRIA

          Até o momento, a China tem sido um dos casos de maior sucesso entre os países que ascenderam dos degraus infe-
          riores para os superiores da escada de renda durante a era da globalização (Canuto, 2021). Essa ascensão tornou-se
          possível pela combinação do acesso a tecnologias difundidas pela globalização com um “dever de casa” sustentado
          na construção de capacidades tecnológicas locais e idiossincráticas (Canuto, 1995). O resultado foi uma elevação
                                        ............................................................................
          Otaviano Canuto foi vice-presidente e diretor executivo no Banco Mundial, diretor executivo no FMI e vice-presidente no Banco Interamericano de
          Desenvolvimento (BID). Também foi secretário de assuntos internacionais no Ministério da Fazenda e professor da USP e da Unicamp. Atualmente é
          membro sênior do Policy Center for the New South, membro sênior não-residente da Brookings Institution, distinguished visiting sênior fellow e profes-
          sor na Elliott School of International A airs da George Washington University. É membro do Conselho Superior da FUNCEX.

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