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China - EUA
A rivalidade entre China e Estados Unidos e os
impactos estratégicos para o Brasil
ais Moretz é fundadora & CEO da THAE Consulting
As opiniões e análises apresentadas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seus
ais Moretz autores e não re etem, necessariamente, a posição institucional da Funcex.
Acabo de terminar a leitura do livro at Used To Be Us (Isto costumava ser a América) de omas Friedman e Mi-
chael Mandelbaum. Apesar de escrito em 2011, a obra é surpreendentemente atual. Os autores descrevem o declínio
dos Estados Unidos, especialmente em comparação com a China, argumentando que essa trajetória descendente
começou no período pós-Guerra Fria, quando perderam a pressão de um competidor direto: a União Soviética. A
ausência de um rival fez com que os Estados Unidos relaxassem e não percebessem o esforço e a determinação da
China, que gradualmente foi encostando economicamente nos Estados Unidos.
Logo no início do livro, uma citação de Barack Obama chama atenção: “Não faz sentido que a China tenha ferro ias
melhores do que as nossas. E acabamos de descobrir que a China agora tem o supercomputador mais rápido do mundo -
that used to be us (constumava sermos nós).” Os autores então delineiam caminhos que os Estados Unidos poderiam
seguir para recuperar a prosperidade e enfrentar os desa os contemporâneos. Curiosamente, uma das estratégias
que destacam é trazer a manufatura de volta para os Estados Unidos.
Desde a chegada de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, o “decoupling” (desacoplamento econômico e tec-
nológico entre EUA e China) tornou-se uma prioridade estratégica dos norte-americanos. Sentindo a pressão do
concorrente chinês, e reconhecendo que em alguns aspectos os chineses de fato se tornaram mais avançados que os
americanos, os EUA passaram a apostar em “ganhar distância” e preservar sua liderança global em geral, garantindo
um espaço mais confortável em relação ao segundo colocado, a China.
Em minhas aulas e palestras, costumo comparar essa disputa a uma corrida de cavalos: os EUA ainda estão à frente,
mas a diferença já não parece tão segura quanto antes. E, quando uma liderança começa a se sentir ameaçada, as
reações tendem a se intensi car. Guerras tarifárias, restrições tecnológicas, incentivos à reindustrialização, fortaleci-
mento das manufaturas domésticas e até estratégias de so e de hard power passaram a ser utilizados como instru-
mentos para ampliar in uência e reposicionamento na disputa pela liderança global.
Além dos campos econômico e tecnológico, essa disputa também envolve uma forte competição de narrativas: uma
tentativa de de nir qual modelo de desenvolvimento, prosperidade e projeção de futuro será mais atraente para o
restante do mundo. Não por acaso, em 2012, Xi Jinping lançou o conceito do “Chinese Dream”, em um claro con-
traponto ao histórico “American Dream”.
No presente artigo, analiso a rivalidade entre China e Estados Unidos nos anos recentes, observando três dimen-
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