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Desa os a Enfrentar








             Indústria sucroenergética: prioridades e desa os


             na agenda governamental de 2023














                                                                                Jacyr Costa Filho
                                                               é presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp
                                                                     (Cosag) e sócio da Consultoria Agroadvice
              Jacyr Costa Filho



          Hoje, todos sabem da importância do agronegócio na economia brasileira. Nesse grau de conhecimento público,
          destacam-se alguns dados que traduzem o dinamismo do setor. Representando 25% do PIB, contribuiu, em 2022,
          com mais de US$ 100 bilhões para o superávit na balança comercial. Soma-se a isso o protagonismo do país no
          combate à insegurança alimentar, graças à forte presença dos produtos agropecuários nacionais em mais de 200
          mercados globais.

          Nesse contexto, insere-se a maturidade secular alcançada por um dos segmentos mais importantes do agro no desenvol-
          vimento agrícola, socioeconômico e ambiental do país: a cadeia sucroenergética. Basta observar a sua importância na
          pauta de exportações, com o Brasil na liderança do ranking global de produção e exportação do açúcar, que envolve mais
          de 40 países. Além disso, o país é reconhecido internacionalmente como referência na fabricação e uso do etanol, bio-
          combustível mais sustentável do mundo, e da geração de energia elétrica por meio da biomassa da cana-de-açúcar – ter-
          ceira fonte renovável mais utilizada na matriz energética nacional, somente atrás da hidroeletricidade e da energia eólica,
          segundo informações do Balanço Energético Nacional de 2022 elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

          Mais contribuições da cana para a segurança energética e a promoção da indústria do país virão da produção de biogás
          e biometano, duas fontes até recentemente adormecidas nos canaviais brasileiros que, agora, caminham para tornar
          ainda mais sustentáveis os setores elétrico e de transportes. Esse potencial é demonstrado no último Plano Decenal
          de Expansão de Energia da EPE, que destaca o aproveitamento dos subprodutos da fabricação do açúcar e do etanol,
          como a vinhaça, a torta de  ltro e a palha de cana. Seria possível produzir 34,9 bilhões de m³ de biogás em 2032 e, mais
          do que isso, fabricar biometano su ciente para suprir cerca de 20% da demanda de óleo diesel no setor agropecuário.
          Em síntese, há muitos dados concretos que traduzem a relevância do segmento canavieiro para o crescimento eco-
          nômico em bases sustentáveis. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), conside-
          rando todos os elos dessa cadeia produtiva, composta por 360 usinas e 70 mil fornecedores de cana independentes,
          o setor movimenta um PIB próximo de US$ 40 bilhões. Adicionalmente, gera quase dois milhões de empregos
          diretos e indiretos em 1.200 municípios.

          Esses dados revelam a importância da agroindústria sucroenergética na agenda econômica, social e ambiental do
          país, desde a época do descobrimento até os dias atuais. Vale destacar a agenda governamental que tem, no setor
          sucroenergético, uma fonte de vários efeitos positivos. Em 2023, o Brasil contará, mais uma vez, com a pujança desse

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