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Comentário internacional
À espera de os ânimos serenarem
George Vidor é jornalista e economista
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George Vidor
Petróleo a U$S 75 o barril estaria de bom tamanho, considerando-se que havia uma sobreoferta do produto, mesmo
com as sanções aplicadas para a venda do óleo e gás procedentes da Rússia, em face da guerra na Ucrânia. O que não
estava no script de 2026 era a interrupção do tráfego de petroleiros no Golfo Pérsico em função do con ito EUA-
-Israel versus Irã-Hesbollah (Líbano). O Oriente Médio nunca deixou de ser um barril de pólvora nos prognósticos
econômicos. E desde que Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos era esperado que o embate com
o Irã se acirrasse porque o programa nuclear iraniano estava fora de controle e alcance dos mecanismos de inspeção
da Agência Internacional de Energia Atômica. Um acordo, no estilo Barack Obama, com o regime dos aiatolás,
tornara-se improvável. E a chamada solução militar passou a ser a maior possibilidade após o ataque do Hamas
(apoiado pelo Irã) a Israel e a posterior ocupação da faixa de Gaza por tropas israelenses.
Mas, mesmo diante desse provável cenário, todos subestimaram a capacidade de o Irã, após sofrer intensos bombar-
deios e ver sua defesa aérea enfraquecida, interromper a passagem pelo Estreito de Ormuz de petroleiros oriundos de
terminais marítimos do Iraque, Kuwait, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Derivados de pe-
tróleo e gás estão ainda presentes em todas as cadeias produtivas. Com o barril do óleo na faixa de US$ 100, a economia
mundial passou a correr o risco de recessão ou de uma alta considerável da in ação. Ou até de ambas, simultaneamente.
Não por acaso os mercados continuaram apostando em acordos ou entendimentos negociados para um cessar fogo
prolongado e a reabertura do Estreito de Ormuz. O impasse não interessa a nenhum dos lados envolvidos. O irã
está sem condições econômicas para prosseguir com o programa nuclear, ou mesmo para sair da crise econômica
que já enfrentava antes da nova onda de ataques. E o presidente Trump tem pela frente eleições legislativas que serão
decisivas para a segunda metade de seu último mandato na Casa Branca. A guerra 0 e a continuidade dela - sem dú-
vida o desgastou junto a seus próprios eleitores. Os aliados dos Estados Unidos no Golfo parecem impassíveis, mas
é óbvio que acabarão sendo muito prejudicados se o con ito se estender na região por mais tempo. Não querem a
extensão da guerra, tal qual os países europeus, que esfriaram suas relações com o governo americano. Fora o apoio
do presidente argentino Javier Milei e do primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu, está difícil para Trump
encontrar entusiasmo entre seus pares em relação à sua empreitada no Oriente Médio.
No caso do Brasil, a guerra no Golfo Pérsico trouxe consequências cuja resultante ainda é uma incógnita. Como o
país agora é um importante exportador de óleo bruto, as receitas tiveram um incremento inesperado que têm contri-
buído para considerável valorização do real. O câmbio sempre teve – e ainda terá - papel relevante na trajetória dos
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