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R B C E - A r e v is t a d a
RBCE - A revista da
A partir de Lisboa, onde acompanha diretamente os
trabalhos da CPLP, Juliano Nascimento observa uma “
agenda cada vez mais ampla no espaço lusófono, en- Ao olhar para os nossos parceiros na
volvendo segurança alimentar, educação, energia, meio
ambiente, cultura, mobilidade acadêmica, tecnologia, CPLP, percebemos o potencial de
defesa e cooperação humanitária. Segundo ele, a pro- avançarmos juntos na construção de
ximidade institucional entre os países membros tem um futuro mais próspero e sustentável
permitido uma troca contínua de experiências entre para todos. A visão do atual governo
governos, parlamentos, universidades e setores empre-
sariais. Ao mesmo tempo, destaca que o fortalecimento permitiu que a atuação do Brasil na
da cooperação econômica se tornou uma prioridade da organização se ampliasse, contribuin-
organização, especialmente após a criação da Direção de do para soluções de desenvolvimento
Assuntos Econômicos e Empresariais da CPLP, conso-
lidada durante a presidência angolana da comunidade. sustentável, geração de oportunidades
e inclusão social.
Em entrevista à revista “RBCE”, o diplomata também ”
analisa o papel crescente da Fundação de Comércio Exte-
rior e Relações Internacionais no fortalecimento das co-
nexões entre Brasil, Europa, Mercosul e países africanos
de língua portuguesa. Para Juliano Nascimento, a entida- ção de novas oportunidades e empregos e a inclusão social
de deverá tornar-se observadora consultiva da CPLP na nos países-membros da Comunidade.
próxima reunião de chanceleres, prevista para o próximo
mês de julho, ampliando a criação de plataformas de inte- Enquanto representante da Missão Permanente do
ligência comercial e instrumentos de integração empresa- Brasil junto à CPLP, quais são hoje as suas principais
rial. Na visão do embaixador, a presença da Fundação em funções e prioridades estratégicas no acompanha-
mento da agenda lusófona em Lisboa?
Lisboa, através da Funcex Europa, pode contribuir para
aproximar mercados, ampliar o conhecimento mútuo A agenda da CPLP é muito ampla e diversi cada. As
entre empresas e fortalecer o espaço lusófono como eixo iniciativas em curso abrangem os domínios da seguran-
estratégico de cooperação internacional. ça alimentar, meio-ambiente, energia, defesa e turismo;
estendem-se à cultura, nas áreas do audiovisual, música,
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa literatura e patrimônio; alcançam a educação, do ensino
assinala três décadas de existência em 2026. Como básico ao superior; sem esquecer as ações de natureza
avalia o percurso da organização e que papel o Brasil humanitária, sobretudo em resposta a desastres naturais.
pretende desempenhar neste novo ciclo?
A tarefa dos Embaixadores, representantes permanentes
A evolução institucional da nossa Organização tem sido dos Estados membros junto ao Secretariado Executivo
constante. Ao longo de três décadas, a CPLP consolidou- da CPLP, consiste em acompanhar e fortalecer esses
-se como mecanismo relevante de alinhamento político- projetos e abrir espaço para novas atividades e parcerias.
-diplomático entre países de dimensões e per s distintos e A sua atuação na CPLP decorre a partir de Portu-
distanciados pela geogra a. Por outro lado, existe grande gal, um país central na história e dinâmica da orga-
coincidência de visões no enfrentamento dos desa os e nização. De que forma esta proximidade geográ ca
ameaças globais como o terrorismo, a mudança do clima, e institucional in uencia o trabalho diplomático do
e a persistência da pobreza. O Brasil exerce uma lideran- Brasil?
ça natural, pelo exemplo e também pela experiência acu-
mulada no enfrentamento dessas questões da atualidade Mais do que a “proximidade” geográ ca, talvez a geogra-
mundial. Ao olhar para os nossos parceiros na CPLP, per- a seja o único ponto que nos distancie. Do ponto de vista
cebemos o potencial de avançarmos juntos na construção institucional, a troca de experiências é uida e regular, nos
de um futuro mais próspero e sustentável para todos. A mais diversos níveis, e naturezas. Desde entendimentos
visão do atual governo permitiu que a atuação do Brasil entre os setores governamentais, na Educação, Ciência e
na organização se ampliasse com envolvimento de atores Tecnologia, Inovação, Defesa, entre outros, até no plano
governamentais e não-governamentais, a m de contri- Legislativo e Judiciário. No caso dos respectivos parla-
buir para soluções de desenvolvimento sustentável, gera- mentos, por exemplo, essa interação acontece por meio
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