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Entrevista


          da Assembleia Parlamentar da CPLP, com congressistas  mais amplo e diverso. Percebemos que muitas vezes nos-
          de todos os países membros que se reúnem regularmente  sos parceiros africanos vem a Portugal em busca desses
          e apresentam propostas aos órgãos executivos.       serviços que a Fundação pode prestar com e ciência e,
                                                              sobretudo, com dados con áveis.
          A cooperação no espaço lusófono vai além da dimen-
          são cultural e linguística.  ue avanços têm sido re-
          gistrados no domínio econômico e empresarial entre
          os países da CPLP?

          A CPLP não é e não pode ser apenas uma comunidade
          de países. É também uma comunidade de povos. E deve
          passar a ser cada vez mais uma comunidade de pessoas.
          Por essa razão, a mobilidade ganhou importância central
          em nossa agenda. Não falo apenas da circulação de tu-
          ristas ou de migrantes, mas a mobilidade de estudantes,
          professores, cientistas e investigadores – a mobilidade
          do conhecimento e das novas tecnologias de informa-
          ção. Nesse contexto também procuramos facilitar e sim-
          pli car os trâmites para a circulação de nossos empresá-
          rios, ao passo em que liberamos os  uxos de comércio
          e de investimentos. Ao longo da presidência de Angola
          (2021-2023), a CPLP buscou consolidar uma agenda
          econômica comum. Aprovamos uma revisão estatutária
          que consagrou a cooperação econômica como um novo
          pilar da organização. Assim, foi possível estabelecer uma
          nova Direção de Assuntos Econômicos e Empresariais
          na estrutura do Secretariado Executivo da CPLP. Essa
          nova direção deverá criar um canal de diálogo com nos-
          sos empresários e uma plataforma para a promoção dos
          negócios. Sabemos que o comércio entre nossos países
          ainda está muito abaixo de seu potencial. Um primeiro
          passo para revertemos essa situação é ampliar o conhe-
          cimento mútuo das nossas empresas e divulgar as opor-
          tunidades de negócios que o espaço CPLP oferece. Para
          que isso aconteça, precisamos contar com ferramentas
          de inteligência comercial.

          A Fundação de Comércio Exterior e Relações Inter-
          nacionais (Funcex) assume um papel ativo na inter-
          nacionalização e nas relações entre Brasil, Europa e
          Mercosul. Como avalia o trabalho desenvolvido por
          esta entidade brasileira no fortalecimento das pontes
          econômicas com o espaço lusófono?

          Na sequência do que acabo de dizer, o papel da Funcex,
          que deverá tornar-se observadora consultiva da CPLP,
          na próxima reunião de chanceleres, em julho próximo, é
          crucial no desenvolvimento de instrumentos e platafor-
          mas que possibilitem incrementar esse conhecimento
          mútuo na área comercial. A partir da sua própria inter-
          nacionalização como empresa prestadora de serviços, a
          Funcex pode, a partir do seu escritório em Lisboa, alcan-
          çar um universo de demandas do setor privado muito

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                                                                              Nº  166 - Janeiro, Fevereiro e Março de 2026
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