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Funcex 50 Anos








             Mundo atual cria desa os e também


             oportunidades para o Brasil















                                                              Gabriel Muricca Galípolo é um economista, professor univer-
                                                              sitário,  escritor  e  ex-banqueiro  brasileiro,  atual  presidente  do
                                                              Banco Central do Brasil desde 2025
              Gabriel Muricca
                Galípolo

          Receber o prêmio “Personalidade do Ano do Comércio Exterior” no mês em que a FUNCEX celebra seus 50 anos
          é uma grande satisfação e, sobretudo, um reconhecimento ao trabalho de excelência que vem sendo realizado pelos
          servidores do Banco Central do Brasil (BC).

          O BC foi um dos instituidores da FUNCEX, em 1976, e desde então as duas instituições mantêm uma relação
          estreita e produtiva. Essa parceria se manifesta tanto na participação de servidores do Banco Central em cursos de
          capacitação oferecidos pela FUNCEX quanto no uso recorrente de diversos indicadores produzidos pela FUN-
          CEX nas análises de conjuntura conduzidas pelo BC.

          As estatísticas produzidas pela FUNCEX permitem desagregações detalhadas, como por classes e categorias econômicas,
          que proporcionam ao Banco Central uma visão mais re nada do setor externo e enriquecem signi cativamente suas aná-
          lises. Em um cenário internacional marcado por crescentes incertezas, essa riqueza de dados torna-se ainda mais valiosa.

          Ambientes de elevada incerteza tendem a afetar de maneira mais intensa as economias emergentes. Como ocorre na maio-
          ria desses países, em momentos de estresse os impactos sobre a economia brasileira costumam se manifestar inicialmente
          por meio dos canais  nanceiros, sobretudo pela maior volatilidade da taxa de câmbio e dos rendimentos dos títulos.

          Foi o que se observou, por exemplo, no ano passado, no momento inicial do chamado tarifaço. Naquela ocasião,
          o Brasil ainda era percebido como relativamente menos suscetível aos efeitos negativos da imposição de tarifas, e
          havia a expectativa de que a economia brasileira pudesse se bene ciar da reorganização do comércio internacional.
          Antes que essa possibilidade se concretizasse, entretanto, o governo americano implementou, em agosto, uma tarifa
          adicional de 40% sobre todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos. Como sabemos, ao longo dos meses
          seguintes houve isenções para uma série de produtos, mas diversos itens da pauta exportadora brasileira encerraram
          o ano ainda sujeitos à sobretaxa.
          A resposta da economia brasileira ao recente con ito no Oriente Médio parece, em certa medida, seguir uma dinâmica
          semelhante. Apesar de a reação inicial dos mercados ter sido relativamente moderada, as condições se deterioraram
          de forma signi cativa já na terça-feira, 3 de março. Nesse dia, o IBOVESPA recuou 3,3%, registrando sua pior sessão
          desde dezembro, em meio a elevada volatilidade intradiária. O real brasileiro também se desvalorizou de forma expres-
          siva, à medida que investidores buscaram ativos mais seguros. Durante o pregão, o dólar chegou a subir mais de 3%,

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