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Funcex 50 Anos
Uma trajetória de 50 anos, testemunhando as
transformações do Brasil
Em uma nação com pouco mais de duzentos anos e cerca de quinhentos anos da chegada de europeus para coloni-
zação dessas terras, conta-se nos dedos o número de instituições mais longevas. O Brasil passa por uma transição
demográ ca, com índices de natalidade declinantes, aumento da expectativa média de vida e mais participação rela-
tiva crescente da faixa etária dos 60+. Ainda assim continuamos a ser uma nação jovem, do ponto de vista histórico.
Portanto, celebrar 50 anos é, sem dúvida, um acontecimento.
A Funcex nasceu na segunda metade da década de 1970 quando já amadurecia nos segmentos pensantes a necessi-
dade premente de que a economia brasileira precisava alargar o seu grau de abertura para o exterior, diversi cando
sua parte comercial e conquistando novas parcerias. As políticas voltadas para a substituição de importações mos-
travam-se esgotadas e não era possível continuar dependendo apenas das exportações de café verde. O primeiro
choque do petróleo (1973) revelara a fragilidade da matriz energética brasileira. O balanço de pagamentos só se
equilibrava por meio de alto endividamento em moeda estrangeira. Barreiras, controles, excesso de burocracia, in-
fraestrutura precária, tudo parecia contribuir para emperrar o comércio exterior brasileiro. Assim surgiu a ideia
de se reunir cabeças pensantes em um centro de estudos voltado para o incremento do comércio exterior. Uma
fundação, sem ns lucrativas, custeada no início por um grupo de empresas mantenedoras, principalmente grandes
companhias estatais.
A Funcex cumpriu esse papel, estendendo sua atuação até mesmo para a área de formação pro ssional, por meio de
cursos e eventos. Desde então, o Brasil mudou sua matriz energética – de forte importador, transformou-se em um
dos principais exportadores de petróleo – construiu um agronegócio altamente competitivo. E, além disso, cons-
tituiu uma união aduaneira com países vizinhos do Cone Sul, formando o Mercosul, passo fundamental para im-
pulsionar exportações de manufaturados e estreitar relações internacionais. Mais recentemente, após muitos anos
de negociações, Mercosul e União Europeia conseguiram formalizar um amplo acordo de liberalização comercial.
Com uma corrente de comércio que caminha para a casa de US$ 700 bilhões anuais, a economia brasileira tem
sentido o impacto da ascensão chinesa no mundo dos negócios. A China ultrapassou parceiros tradicionais, como
Estados Unidos e União Europeia e assumiu o posto de maior parceiro comercial do Brasil, embora nossa pauta de
exportações para lá permaneça concentrada em poucos produtos. Todavia, aviões fabricados no Brasil estão presen-
tes nos cinco continentes. Transformadores elétricos gigantes chegam ao Oriente Médio. E a malha de transportes
avança e se adapta a essas mudanças. Algo impensável há 50 anos.
Ao completar meio século de existência (tempo correspondente a bodas de ouro, se fosse uma celebração de ca-
samento longevo), a Funcex se orgulha de seu passado, mas mirando para o futuro. Buscou a internacionalização
(começando por Portugal, uma porta de entrada que não foi explorada ainda em todo seu potencial) e agregou as
relações internacionais em seus propósitos. Daí, o nome de batismo, Fundação Centro de Estudos de Comercio
Exterior, ter sido alterado para Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais.
12 Nº 166 - Janeiro, Fevereiro e Março de 2026

