Page 16 - RBCE 166
P. 16

Funcex 50 Anos



          Uma trajetória de 50 anos, testemunhando as


          transformações do Brasil






















          Em uma nação com pouco mais de duzentos anos e cerca de quinhentos anos da chegada de europeus para coloni-
          zação dessas terras, conta-se nos dedos o número de instituições mais longevas. O Brasil passa por uma transição
          demográ ca, com índices de natalidade declinantes, aumento da expectativa média de vida e mais participação rela-
          tiva crescente da faixa etária dos 60+. Ainda assim continuamos a ser uma nação jovem, do ponto de vista histórico.
          Portanto, celebrar 50 anos é, sem dúvida, um acontecimento.

          A Funcex nasceu na segunda metade da década de 1970 quando já amadurecia nos segmentos pensantes a necessi-
          dade premente de que a economia brasileira precisava alargar o seu grau de abertura para o exterior, diversi cando
          sua parte comercial e conquistando novas parcerias. As políticas voltadas para a substituição de importações mos-
          travam-se esgotadas e não era possível continuar dependendo apenas das exportações de café verde. O primeiro
          choque do petróleo (1973) revelara a fragilidade da matriz energética brasileira. O balanço de pagamentos só se
          equilibrava por meio de alto endividamento em moeda estrangeira. Barreiras, controles, excesso de burocracia, in-
          fraestrutura precária, tudo parecia contribuir para emperrar o comércio exterior brasileiro. Assim surgiu a ideia
          de se reunir cabeças pensantes em um centro de estudos voltado para o incremento do comércio exterior. Uma
          fundação, sem  ns lucrativas, custeada no início por um grupo de empresas mantenedoras, principalmente grandes
          companhias estatais.

          A Funcex cumpriu esse papel, estendendo sua atuação até mesmo para a área de formação pro ssional, por meio de
          cursos e eventos. Desde então, o Brasil mudou sua matriz energética – de forte importador, transformou-se em um
          dos principais exportadores de petróleo – construiu um agronegócio altamente competitivo. E, além disso, cons-
          tituiu uma união aduaneira com países vizinhos do Cone Sul, formando o Mercosul, passo fundamental para im-
          pulsionar exportações de manufaturados e estreitar relações internacionais. Mais recentemente, após muitos anos
          de negociações, Mercosul e União Europeia conseguiram formalizar um amplo acordo de liberalização comercial.
          Com uma corrente de comércio que caminha para a casa de US$ 700 bilhões anuais, a economia brasileira tem
          sentido o impacto da ascensão chinesa no mundo dos negócios. A China ultrapassou parceiros tradicionais, como
          Estados Unidos e União Europeia e assumiu o posto de maior parceiro comercial do Brasil, embora nossa pauta de
          exportações para lá permaneça concentrada em poucos produtos. Todavia, aviões fabricados no Brasil estão presen-
          tes nos cinco continentes. Transformadores elétricos gigantes chegam ao Oriente Médio. E a malha de transportes
          avança e se adapta a essas mudanças. Algo impensável há 50 anos.
          Ao completar meio século de existência (tempo correspondente a bodas de ouro, se fosse uma celebração de ca-
          samento longevo), a Funcex se orgulha de seu passado, mas mirando para o futuro. Buscou a internacionalização
          (começando por Portugal, uma porta de entrada que não foi explorada ainda em todo seu potencial) e agregou as
          relações internacionais em seus propósitos. Daí, o nome de batismo, Fundação Centro de Estudos de Comercio
          Exterior, ter sido alterado para Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais.

         12                                                                   Nº  166 - Janeiro, Fevereiro e Março de 2026
   11   12   13   14   15   16   17   18   19   20   21