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Geopolítica
Guerra no Oriente Médio e Disrupção Logística
Global: impactos no agronegócio brasileiro e nas
recuperações judiciais
As opiniões e análises apresentadas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seus
autores e não re etem, necessariamente, a posição institucional da Funcex.
Antonio Carlos
de Oliveira Freitas
INTRODUÇÃO
O presente artigo analisa os possíveis impactos decorrentes da Guerra dos EUA e Israel com o Irã, especialmente no
que se refere às recuperações judiciais e ao agronegócio.
A análise parte dos acontecimentos iniciados em 28 de fevereiro de 2026, considerando os efeitos já observados, em
especial o fechamento da navegação no Estreito de Ormuz e suas consequências, com o objetivo de compreender
em que medida o comprometimento do uxo da cadeia global de suprimentos afetará o Brasil.
Os dados obtidos a partir de reportagens e de informações fornecidas por órgãos o ciais permitem elucidar os
potenciais efeitos negativos e positivos decorrentes do con ito, bem como avaliar em que medida ele impacta o
cumprimento de contratos, os índices de inadimplência, as taxas de juros e a concessão de crédito, particularmente
no agronegócio, em um contexto de crescimento contínuo dos pedidos de recuperação judicial no país.
Para tanto, fundamental contextualizar, ainda que de forma sintética, o impacto da guerra sobre o comércio interna-
cional, apresentando dados relevantes e destacando aspectos que, embora não esgotem o tema, sobretudo em razão
de sua natureza dinâmica, permitem uma compreensão mais estruturada do cenário.
Neste estudo, poder-se-á não apenas compreender melhor a relevância da geopolítica nas relações comerciais inter-
nacionais e demonstrar como eventos geogra camente distantes produzem efeitos concretos no ambiente econô-
mico e jurídico brasileiro.
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Antonio Carlos de Oliveira Freitas é Mestre em Direito Empresarial pela Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, São Paulo (FGV-SP). Espe-
cialista em Direito Processual Civil pela PUC-SP. Especialista em ESG na Saint Paul Escola de Negócios. Certi cado em espanhol para negócios pela
Câmera de Comércio de Madrid. Vice-Presidente da AASP - Associação dos Advogados. Coordenador da Comissão de Agronegócio do IBRADEMP
– Instituto Brasileiro de Direito Empresarial. Membro da Comissão de Agronegócios e de Relações Agrárias da OAB-SP (2013/2018). Membro do Insti-
tuto dos Advogados de São Paulo (IASP). Reconhecido pela revista Análise Advocacia como um dos advogados mais admirados do Brasil em 2016, 2020,
2022, 2023 e 2024 e pela Chambers & Partners Global – Latin America em 2017 como advogado de destaque na área do agronegócio, bem como pela
Leaders League em 2022 e 2023 – Agribusiness Highly Recommended e pela Best Lawyers em 2025. Indicado ao prêmio da FGV Direito SP de melhores
dissertações de 2019. Autor de Título de crédito eletrônico e agronegócio, publicado pela editora Singular em 2020, e um dos organizadores e autores de
Panorama jurídico do agronegócio, pela mesma editora, em 2021. Sócio do escritório Freitas e Assad Advogados.
24 Nº 166 - Janeiro, Fevereiro e Março de 2026

